Essa sequência de fotos ilustra bem um exercício que eu tenho feito incansavelmente na vida desde muito nova e outro contrário que eu comecei recentemente. E é sobre isso que eu quero escrever hoje, isso é, sobre auto estima, padrão de beleza e auto aceitação.
Eu nunca fui uma pessoa muito dentro do padrão, apesar dos privilégios que eu tive por ser uma pessoa branca, mas o cabelo cacheado que por muito tempo eu não soube cuidar, meu rosto redondo, bochechudo, esse grande nariz de tomada e os olho pequenos (demais) além de uma dismorfia corporal que me fizeram ter a absoluta certeza de que eu estava muito acima do peso e ter mais espinhas do que a maioria foram coisas que marcaram muito minha adolescência (principalmente), teve a época que eu queria alisar meu cabelo, a época que eu queria usar muita maquiagem pra esconder meu rosto, disfarçar meu traços, preocupada sempre em esconder o corpo mesmo de pessoa próximas, depois tentando me mostrar pra desesperadamente representar um figura feminina, de salto, de vestido. Na era da selfie eu fui desenvolvendo formas de parecer mais bonita nas fotos, na época que o mais bonito pra mim ainda era de certa forma sinônimo de dentro do padrão então eu tirava fotos mais de cima, meus olhos pareciam maiores, meu rosto mais fino, até o nariz da uma disfarçada.
Eu fui desconstruindo todos esses complexos e conceitos sobre beleza durante a faculdade, aprendi cada vez mais a olhar o corpo humano de outra perspectiva, eu descobri que eu não gosto de maquiagem, que sempre me incomodou a pintura padronizada de contornos e iluminações que deixa todos com o mesmo rosto, que eu curto um rímel e muito de vez em quando um batom, meu rosto, é esse aqui e eu - PASMEM - gosto dele. E eu entendi que tudo que as pessoas em geral acham feio é aquilo que se distancia do padrão estético midiático, e que esse padrão é extremamente violento com quem foge dele, como foi comigo e eu nem sabia de onde a porrada vinha.
O que mais me ajudou entender essas questões e me desprender de certas caixinhas foi conviver com pessoas que naturalizavam o corpo, o conforto, o real, e o natural. E essa libertação foi tão essencial pra mim que tudo que eu quero é repassar isso a diante.
Quando eu olhei essas 3 fotos e fui escolher uma pra publicar, primeiro eu percebi que automaticamente eu ainda faço aqueles movimentos de tentar parecer padrão nas fotos, e depois eu fiz questão de escolher uma outra foto, que mostra meu rosto redondo, meu olho pequeno, meu narizinho de tomada que não me incomoda tem anos e meu sorriso que eu amo.
Porque mesmo que não esteja escrito - e eu poderia ter escrito - a foto fala, e ela diz "ei, essa pessoa tem uma cara rendonda, e um narizão e ta feliz demais, ela se ama, se aceita assim, e se sente bonita, sem ter que se mascarar, sem ter que procurar outro angulo que mude tudo isso.



Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comente e sinta-se abraçado (=