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sexta-feira, 16 de junho de 2017

Sobre redes sociais, formigas e memoria.


É engraçado como algumas coisas ficam guardadas bem no fundo da nossa memória a ponto de passarmos 4, 5 anos sem acessar esse conteúdo (considerando que 5 anos é um quarto da minha até então vida) e ainda assim, quando acessamos, conseguimos nos lembrar do sentimento evocado pela situação. Andei lendo um texto sobre velhice pra faculdade (do livro escrita de uma memória que não se apaga) e nele dizia que quando nos lembramos de algo não nos lembramos de quando aconteceu de fato, mas sim da última vez que nos lembramos do ocorrido, isso explica a lembrança do sentimento.
What a fuck esse texto tem a ver com esse vídeo, redes sociais e formigas? Let’s go there. Eu vi esse vídeo hoje na rede social ao lado e na hora apenas achei inusitado, ri, e enviei pra um amigo mas passado algum tempo algo foi surgindo na minha memória sobre formigas arremessarem suas “irmãs” sem utilidade pra fora da “comunidade” (foi difícil encontrar essa palavra e ainda não soa certa, logo entenderão porquê) também parece cruel, eu sei, e era o que eu pensava na época e, acredito que foi o que me fez resgatar a memória. Lembrei de algum período muito incerto da minha infância, difícil de definir porque tive o mesmo quarto dos 5 aos 18 anos, quando apareciam dezenas de formigas mortas ou deficientes no chão do meu quarto em um canto específico; e eu, criança curiosa, logo descobri que elas caiam do teto (Era um teto de madeira, tinha um sótão onde às vezes entravam morcegos e gatos, imagina formigas.) Seu eu disser formigueiro então, tentem não imaginar o buraco no chão cheio de ‘granulado de terra’
(¯\_(ツ)_/¯). Tinha um formigueiro no sótão e meu quarto era onde as formigas descartavam as outras que por algum motivo não conseguiam acompanhar o ritmo da colônia. Não lembro como nem quando cheguei à essa conclusão, talvez meus pais tenham me dito, mas não tenho lembrança dessa conversa. Só me lembro de observar as formigas rejeitadas tentando andar, subir nas paredes, voltar pra casa, caindo no meio do caminho, sem sucesso e sentir pena delas.
Eu não planejei uma moral da historia. Era uma lembrança que deu vontade de escrever. E eu não consigo lembrar de quando foi a ultima vez que lembrei disso, pareceu algo totalmente apagado, que o vídeo da rede social ao lado como um gatilho trouxe de volta.

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