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sábado, 17 de junho de 2017

As Feministas estão aqui, porra!

Hoje eu vi outro vídeo na rede social ao lado (se alguém estiver se perguntando, a rede social ao lado é como alguns membros do twitter se referem ao facebook) e esse assunto é muito mais sério e triste. Uma psessoa compartilhou um vídeo de dois garotos estapeando e socando uma garota com uma descrição parecida com “quando seus pais dizem pra você não se relacionar com vagabundos é porque eles querem evitar que esse tipo de coisa aconteça com você”. Apesar de não entender muito bem o áudio do vídeo, assistindo algumas vezes pude inferir que se tratava de dois irmãos agredindo a própria irmã por ela ter engravidado, uma mulher mais velha, provavelmente a mãe, aparece no canto do vídeo pedindo para os meninos pararem, mas não interferindo ativamente, claramente impotente diante do comportamento dos filhos; então, pra começar, quem colocou aquela legenda não prestou atenção ao que se passa no vídeo, além de culpar a mulher por sofrer uma agressão do suposto parceiro; e pra completar minha revolta uma pessoa comentou na postagem “cadê as feministas?” como se nos estivessemos deixando aquilo acontecer. Eu já estava saturada. Porque vi tanta gente falando do caso da tatuagem na testa, da justiça com as próprias mãos como se fosse o jeito certo de agir; porque soube de um vídeo íntimo, gravado sem autorização e vazado numa situação próxima à mim, porque só vejo as pessoas reclamando que feminista reclama de coisas insignificantes, e que só faz protestos por visibilidade, e que generaliza os homens; E querem vir cobrar da gente quando um caso desse aparece na internet, como se a gente tivesse culpa, como se nosso papel ou objetivo fosse fazer justiça em cada caso, como se agente fosse o esquadrão anti machista.
Eu to nervosa.
Eu vou tentar ser didática pra variar.
O movimento feminista não quer o fim dos homens, nós queremos que os homens parem de se comportar como os donos das nossas vidas e dos nossos corpos. Deixa eu contar um segredinho pra vocês: nós (a maioria de nós, acredito eu) não nos organizamos em um esquadrão armado pra fazer justiça contra cada homem que oprimiu, agrediu, ou matou uma mulher. Quando a gente se organiza pra dar visibilidade a alguns casos é pra tentar fazer vocês que fecham os olhos pra isso enxergarem que isso acontece o tempo todo; quando a gente generaliza é pra mostrar que a gente SABE que o problema é estrutural, é social, não é um, não são dois, não vai ser matando ou prendendo os dois pivetes que agrediram a irmã que esse problema vai ser resolvido; muito menos ensinando sua filha a não se relacionar com ‘vagabundo’ seja lá o que isso significa pra você.
Muita coisa está fora do nosso alcance, a gente pode educar nossos filhos e filhas, mas os seus são vocês que vão educar, e ai daqui 20 anos quando ele der um tapa na mãe, na irmã ou na namorada vocês vão dizer “cadê as feministas?”? Quando seu colega de trabalho que vive assediando adolescentes enquanto você observa calado estuprar uma menina você vai dizer “cadê as feministas?”? Quando alguém filmar sua intimidade com sua mulher e ela for exposta e passar por todo tipo de humilhação você vai dizer “cadê a porra das feministas?”?
A porra das feministas não estão aqui pra resolver todos os problemas, quem dera fosse fácil assim, a gente tá tentando fazer todo o resto do mundo enxergar o tamanho do problema e tomar atitudes à respeito, não ficar esperando as feministas.

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sexta-feira, 16 de junho de 2017

Sobre redes sociais, formigas e memoria.


É engraçado como algumas coisas ficam guardadas bem no fundo da nossa memória a ponto de passarmos 4, 5 anos sem acessar esse conteúdo (considerando que 5 anos é um quarto da minha até então vida) e ainda assim, quando acessamos, conseguimos nos lembrar do sentimento evocado pela situação. Andei lendo um texto sobre velhice pra faculdade (do livro escrita de uma memória que não se apaga) e nele dizia que quando nos lembramos de algo não nos lembramos de quando aconteceu de fato, mas sim da última vez que nos lembramos do ocorrido, isso explica a lembrança do sentimento.
What a fuck esse texto tem a ver com esse vídeo, redes sociais e formigas? Let’s go there. Eu vi esse vídeo hoje na rede social ao lado e na hora apenas achei inusitado, ri, e enviei pra um amigo mas passado algum tempo algo foi surgindo na minha memória sobre formigas arremessarem suas “irmãs” sem utilidade pra fora da “comunidade” (foi difícil encontrar essa palavra e ainda não soa certa, logo entenderão porquê) também parece cruel, eu sei, e era o que eu pensava na época e, acredito que foi o que me fez resgatar a memória. Lembrei de algum período muito incerto da minha infância, difícil de definir porque tive o mesmo quarto dos 5 aos 18 anos, quando apareciam dezenas de formigas mortas ou deficientes no chão do meu quarto em um canto específico; e eu, criança curiosa, logo descobri que elas caiam do teto (Era um teto de madeira, tinha um sótão onde às vezes entravam morcegos e gatos, imagina formigas.) Seu eu disser formigueiro então, tentem não imaginar o buraco no chão cheio de ‘granulado de terra’
(¯\_(ツ)_/¯). Tinha um formigueiro no sótão e meu quarto era onde as formigas descartavam as outras que por algum motivo não conseguiam acompanhar o ritmo da colônia. Não lembro como nem quando cheguei à essa conclusão, talvez meus pais tenham me dito, mas não tenho lembrança dessa conversa. Só me lembro de observar as formigas rejeitadas tentando andar, subir nas paredes, voltar pra casa, caindo no meio do caminho, sem sucesso e sentir pena delas.
Eu não planejei uma moral da historia. Era uma lembrança que deu vontade de escrever. E eu não consigo lembrar de quando foi a ultima vez que lembrei disso, pareceu algo totalmente apagado, que o vídeo da rede social ao lado como um gatilho trouxe de volta.