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quarta-feira, 29 de março de 2017

Sarau na praça

Sabe a mesma praça do ultimo post de fotos? Ela de novo, mas dessa vez rolou um evento, um sarau com bazar e exposição de desenhos, fotos textos, bandas, dança, foi lindo e as imagens ficaram muito legais, espero que gostem :)

















sábado, 4 de março de 2017

Sobre evolução e ... eu. #1


Eu ia chamar esse texto de Mudanças, mas o assunto que eu quero abordar é mais especifico, não são quaisquer mudanças, são aquelas que você olha pra trás e sente um pouco de arrependimento de ter sido daquele jeito e um pouco de orgulho de ter deixado de ser; me considero uma pessoa de sorte pelas pessoas, musicas, livros, textos, e tudo que eu tive acesso que me fez refletir sobre essas ideias e literalmente evoluir
A primeira das grandes evoluções pelas quais passei  foi deixar de ter vergonha do meu corpo; não era só baixa auto estima, isso eu ainda tenho as vezes, mas eu realmente fui ensinada a esconder meu corpo, provavelmente como uma forma de me proteger, mas isso é algo que eu não poderia entender na época (e que eu discordo hoje), ao mesmo tempo eu escutava "olha o tamanho dessa barriga", "você precisa emagrecer", " se você ficar com a barriga chapada eu pago pra você colocar um piercign no umbigo". Provavelmente eu associava uma coisa com a outra e achava que meu corpo era tão repugnante que ninguém se sentiria a vontade de vê-lo, por isso, mesmo com minhas primas e tias sempre trocando de roupas na minha frente, sem parecerem se importar com isso, eu nunca fazia isso, mesmo que tivessem várias meninas se trocando no mesmo lugar eu ia pra algum lugar vazio de preferência trancado pra não acontecerem acidentes.
Quando eu entrei na faculdade eu conheci meninas que fizeram eu pensar sobre isso no meu comportamento, meninas que também tinham corpos fora do padrão e se amavam, mulheres magras, gordas, lindas, que se amavam, e falavam sobre isso, sobre como o corpo da mulher é hiperssexualizado e ofensivo em oposição ao do homem, sobre o padrão de beleza imposto pela mídia ser irreal inatingível, e na convivência com essas pessoas comecei a pensar sobre o porque o corpo do homem, fosse como fosse, era aceito socialmente e o da mulher não, e que na verdade aquele corpo que eu não tinha não era real, ou se era, era um esforço desnecessário atingi-lo. E comecei a aceitar que meu corpo era só mais um corpo real e eu não precisava escondê-lo, nem por não ser padrão, nem como forma de proteção; roupa nenhuma impede um estupro, um assedio, físico ou moral, não adianta ensinar sua filha a "se comportar" se você ensinar seu filho a ser garanhão, ter sempre razão e dar a ultima palavra.
Outra evolução foi a perda do meu preconceito cultural, estudando sobre a adolescência, aprendi que nessa fase tendemos a nos encaixar em grupos buscando nossa identidade, eu percebo que nessa fase eu também tinha um medo muito grande de ser taxada de mente fraca, comecei a pensar sobre isso recentemente: quando no inicio da adolescência eu desejava liberdade e oportunidades de experimentar coisas novas, mas ao mesmo tempo eu via como um grande defeito alguém se permitir mudar de opinião sobre qualquer coisa porque isso significava admitir que tinha errado e por algum motivo na época eu achava isso inadmissível; por isso eu fugia da cultura de massa que alem de ser a mais comum ia um pouco contra esse conservadorismo conceitual que ainda habitava em mim. Eu tinha uma resistência a conhecer elementos culturais diferentes dos que eu fui acostumada desde nova, julgava facilmente as pessoas pelas roupas que usava, as músicas que ouvia ou o jeito que falava, mas depois de muito ler textos, conviver com pessoas e refletir sobre o assunto eu percebi que nada fazia minha bagagem cultural melhor que a deles, que conservadorismo não traz nenhuma vantagem, que roupa não define caráter e que se fechar na sua bolha sócio-cultural de pessoas que pensam como você e gostam do que você gosta só faz congelar sua bagagem cultural que poderia estar sendo enriquecida na troca de experiências com pessoas diferentes.
Eu tinha outras evoluções em mente pra tratar nesse texto, mas como ele já ficou maior do que eu esperava e eu levo tempo pra desenvolver cada assunto vou deixar os outros temas pra textos futuros e parar por aqui por enquanto deixando aqui a importância de ter a mente aberta a mudanças para poder evoluir sua identidade.