Páginas

sábado, 24 de setembro de 2016


Devia estar lendo, devia. Mas finalmente surgiu uma ideia pra me fazer soltar a língua mais uma vez e dar vida ao blog novamente, e tem a ver com isso de dever estudar, prioridades e faculdade, mas também tem a ver com pessoas, relações, psicologia na prática.

Desde mais nova eu gosto de observar as pessoas e entender por que elas agem de alguma maneira, talvez isso tenha me trazido pro curso de psicologia, provavelmente influenciou também na minha personalidade altamente empática mas eu nunca soube me relacionar muito bem, na escola eu sabia cada bordão, conhecia cada piada interna, e de algum jeito talvez não explicável eu gostava de cada pessoa com quem eu compartilhava as aulas e as manhãs, lhes desejava o bem, torcia  por eles, ficava feliz por eles; mesmo sabendo que não se importavam comigo e eu era motivo de chacota. Me machucava, mas isso nunca mudou  minha empatia. 
Uma professora de um outro curso me disse um dia desses que acha absurdo estudiosos academicistas que estudam, defendem, idolatram certos teóricos mas não aplicam suas idéias em sua vida cotidiana e eu concordo; muito se fala no curso de psicologia sobre respeitar a individualidade, entender o contexto, mas na prática isso pouco importa. 
Nesse semestre surgiu uma situação nova pros recém veteranos (minha turma) da psicologia, Estágio básico:  uma disciplina que divide a turma em duas, com diferentes professores que dá prioridade de direito de escolha pra quem tem a maior média global (melhor média de resultados em notas desde o começo do curso). O único critério que a maioria tem pra escolher é a opinião de quem já teve aula com os professores, e tendo os veteranos anteriores dito que determinado professor era melhor, os 25 alunos com melhores médias escolheram esse e os outros ficaram com o outro, sem direito de escolha (vejo outros dois problemas no contexto, sendo um que nos deixamos levar pela opinião subjetiva de outros estudantes como nós, sem conhecer nada sobre o professor, o outro que temos muito poucas opções oferecidas pela faculdade.) Mas o fato é, isso gera uma certa visão de quarta série A e B, quando os considerados bons alunos ficam na A e os considerados piores na B. 
Eu não fiquei entre as 25 melhores médias globais, eu não consigo me dedicar tanto à faculdade e por vezes eu me vejo junto com outras pessoas criticando quem se cobra muito, quem se foca só nisso, mas baseado na experiência pessoal, dizendo que quem vive assim não vive bem; mas na realidade a gente não sabe, não temos como saber se a pessoa não se sente bem com isso, não entendemos, não conseguimos entrar na cabeça da pessoa e muitas vezes não buscamos conversar com quem é tão diferente de nós. Do mesmo jeito deve ser duro pra essas pessoas entender por que é tão difícil pra nós nos dedicar tanto quanto elas; o que nem nós sabemos, mas nos faz pensar que quem consegue acaba por prejudicar sua saúde mental. Isso me fez pensar na facilidade com a qual criamos desafetos desnecessários com as pessoas de nosso convívio, a questão da divisão da turma pelo desempenho acadêmico foi só um exemplo. A ideia  central que quero passar aqui é, eu não tenho e não vejo motivo pra ter nenhum tipo de apatia em relação a quem tem uma personalidade diferente da minha, ou a quem acredita em um deus ou religião, ou quem se sente pleno e satisfeito dedicando tanto tempo aos estudos quanto é necessário para ter um notável desempenho acadêmico. Não acho que seja passível de critica quem muito se aplica aos estudos e nem aquele que aparentemente não destina a eles a menor atenção porque o que importa é se a pessoa dispõe de saúde mental e eu torço pra que todos tenham um amigo que possa observar e ajudar no caso de se estar prejudicando a própria saúde.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente e sinta-se abraçado (=