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domingo, 27 de março de 2016

2015/2*


Olá. Ca estou pra falar do fim do segundo semestre da faculdade, da conclusão do primeiro ano de curso, do primeiro ano de liberdade, do primeiro ano de 600 Km longe de "casa".
   Primeiro, por causa da greve o fim do segundo semestre de 2015 veio parar em março de 2016, o que foi estressante porque tivemos férias encurtadas. Foi puxado, mas eu também não me esforcei tanto quanto poderia. Eu não estudei tanto quanto poderia. Eu sei disso. coisas aconteceram na minha vida pessoal e eu perdi bastante o foco da faculdade. Admitamos. Pra agregar, meu relógio biológico desregulado continuou sabotando minha aulas matutinas. Resumindo: eu sei que a culpa é minha por ter sido reprovada em fisiologia. (eu fui reprovada em fisiologia, desculpa mãe.) 
   O segundo semestre me estressou porque tive que dar muito zoom pra enxergar a psicologia na minha grade, duas disciplinas apenas, e as dos professores menos rígidos. Eu nem percebi quanto stress acumulado tinha em mim até a ultima semana de aula quando ele tomou forma física. Eu vou repetir que eu sei que a culpa é minha; que se eu tivesse focado mais provavelmente não teria me estressado tanto, mas já me perdoei e o resto do mundo não importa.
    Voltando pra minha semana de caloura "Por que eu escolhi psicologia?" porque eu acredito que a mente carece de saúde. Que gente é gente. Que gente não é máquina. Gente tem limite. E gente erra. E não muda nada ficar se martirizando. Por que a gente tem que andar na linha sempre? Seguir o sistema sempre, a gente vira zumbi.
    Além disso, desde que eu entrei na Universidade (e antes também) sempre considerei a experiência Universitária muito mais abrangente que aulas, salas de aula (e laboratórios e biblioteca e RU)é mais do que isso. É aprender a se virar sozinho, morar sozinho ou conviver; controlar os gastos, poupar em algo pra conseguir outra coisa; é conhecer gente de toda raça, classe social, cultura, religião e aprender de tudo um pouco graças a essa Universalidade.
    Então depois de muito perder o foco, tremer e chorar sozinha no meu quarto fazendo algum trabalho final de madrugada pro dia seguinte quase ao mesmo tempo que tinha plena consciência de que aquilo era a materialização do meu stress acumulado de todo o semestre eu comecei a pensar sobre esses aspectos e repetir mantricamente até me convencer de que estava tudo bem. Mesmo assim tive paralisia do sono, três vezes entre a ultima semana de aula e a primeira de recesso
    Meu irmão me disse "ta vendo essas coias que te fazem chorar? você não é obrigada a (quase) nenhuma delas" E eu não sou. Eu não sou obrigada a passar em todas as disciplinas de primeira. Paciência.É nisso que estou acreditando.

sábado, 26 de março de 2016


O que me incomoda é que agora tudo que eu escrevo parece um clichê. Parece que tudo sobre tudo já foi dito (e escrito) mas vou me dar a liberdade de falar desse clichê. 
Tenho que começar desconstruindo um clichê. A gente não é oposto mas se atrai. Perceber nossas semelhanças trouxe a tona muitas coisas sobre mim que eu mantinha adormecidas, escondidas de mim mesma. Eu passei um bom tempo me fazendo acreditar que eu não queria ninguém, que eu estava melhor sozinha, que eu não queria um porto seguro, que eu não sentia falta de um colo de alguém que me entendesse melhor
Eu tinha medo; é o que acontece com quem muito observa como nós: contrai um medo absurdo de se entregar, de se permitir sentir e acaba se isolando, se calando ou surtando.
Então eu tinha medo, e isso durou muito tempo. Ninguém nunca tentou tirar esse medo de mim mas eu fui perdendo o medo de você.
Eu te observava muito antes de você imaginar que um dia ficaríamos juntos; percebi nossas semelhanças bem antes de você de você me mandar mensagem dizendo que apesar de não acreditar que o fato de termos o mesmo signo e ascendente tivesse algo a ver com isso, de fato, éramos na nossa, nos sentíamos deslocados em lugares de alta densidade demográfica e tínhamos gatos com nome de vocalistas. E tudo isso foi fazendo eu perder o medo se fosse você.
Pois então, eu não sei que lâmpada ascendeu na sua mente que te fez tomar iniciativa; da minha parte, tenho certeza que pareceu que não, mas demonstrei minha vontade com o máximo de explicitude que fui capaz; da minha parte o álcool foi pivô da situação; da minha parte passei as semanas seguintes tentando me convencer de que era verdade.
Eu não sei se você entende, a pesar de você sempre me entender, que eu nunca tive uma relação dessa com ninguém. Tudo que eu senti, eu sempre senti sozinha, e além de sentir sozinha, não admitia que sentia, nem pra mim, nem pra ninguém. Não sei se você sabe, antes de você eu nunca admiti pra ninguém que antes de ficar com a pessoa eu gostava dela, eu nunca admiti que senti ciumes de alguém. 
Eu continuo escrevendo com medo de você achar que eu sou louca e fugir de mim mas você é o porto seguro que eu nunca tive.