Páginas

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Sobre a primeira greve, o DA, e achar que universidade é mais que um curso



Eu não tinha muita ideia de como funcionava a faculdade antes de entrar, mas eu sabia que lá existia uma galera mais politizada do que a média e também que era uma fonte de arte e cultura concentrada então entrei na faculdade buscando movimentos sociais e expressões artísticas. O primeiro movimento político que eu conheci na faculdade foi o Ocupa R.U. que era uma ocupação no prédio do Restaurante Universitário todas as quintas feiras na qual aconteciam rodas de discussões, exposições artísticas, apresentações culturais em protesto pelo motivo de o R.U. estar construído ha mais de 3 anos e ainda não operar. A Ocupação oficial era só as quintas mas o prédio também era usado diariamente como Centro de convivência (outra obra que já deveria estar pronta no campus) com uma mesa de ping-pong e puffs pra galera socializar; e frequentando esse espaço diariamente conheci uma galera que falava sobre assuntos interessantes: segregação social, racial, de gênero; movimento estudantil; politica em geral. Me convidaram pra participar da chapa que eles estavam organizando pra concorrer ao Diretório Acadêmico (Que é o órgão de representação estudantil máximo da faculdade, que representa todos os cursos; abaixo dele existem os Centros Acadêmicos, um pra cada curso). Fomos a unica chapa inscrita e antes das férias fomos eleitos. Pouca gente aparecia nas reuniões, sempre as mesmas pessoas, mas essas pessoas eram as melhores possíveis na minha opinião, sempre dispostas a ajudar voluntariamente qualquer projeto e cobrar do diretor e do reitor os direitos dos estudantes.
Assim que os professores entraram em greve nós (do DA) convocamos assembléia estudantil e fizemos uma votação pra entrar também em greve estudantil, no fim a assembléia estava esvaziada mas a greve passou por unanimidade
Com a greve votada fomos à assembléia universitária na UFG regional Goiânia onde conhecemos uma galera do movimento estudantil de lá. Na mesma semana fizemos um almoço comunitário pra alunos, funcionários e comunidade em geral que precisasse, fizemos um ato no desfile de aniversário da cidade pra levar pra comunidade local os motivos da nossa greve (aliás, são eles, ajuste fiscal, cortes de verbas, precarização da educação pública e priorização da educação privada) Fomos pra Brasília na caravana nacional em defesa da educação pública e pudemos interagir com estudantes mobilizados de todo o Brasil. Até o fim da greve fomos os estudantes mais mobilizados entre as Universidades. Agora a greve acabou. O diretor prometeu que o R.U. abre dia 19 (que também é o dia marcado pra recomeçarem as aulas) e nós no DA já temos planos de organizar atividades culturais, artísticas, esportivas e políticas pra continuidade da nossa gestão, porque nós acreditamos que Universidade é muito mais que um curso de graduação (pós/mestrado, doc,etc). É um espaço público, pra todos terem a oportunidade de aprender sobre o que quiserem.
(Eu de camiseta vermelho escuro à direita)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente e sinta-se abraçado (=