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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

La casa... P1


Estávamos de mudança, deixar o lugar onde vivi toda a minha infância e parte da adolescência é estranho, uma sensação de abandono, mas também de liberdade.
Minha casa nova é bonita e grande pelas fotos que eu vi. Mas também meio misteriosa, é do tipo casa antiga
No jardim muitos bancos e algumas arvores.
Chegamos logo depois do caminhão de mudanças e entramos, era escuro, acenderam as luzes, era um salão enorme, dois lustres lindos, um porta de cada lado, uma para a cozinha, bem ajeitada, a outra para um quarto escuro, sem janelas.
Uma enorme escada subia a parede do fundo do salão acompanhado de quadros e terminava num corredor, para um lado uma porta para um quarto e uma escada que descia para um segundo quarto. Dois quartos empilhados e isolados, adorei isso. Pro outro lado do corredor uma terceira escada levava ao banheiro.
Todos os cômodos eram consideravelmente grandes, inclusive os quartos. Escolhi o segundo, embaixo do da minha irmã. Levei minha mala pro meu quarto e logo terminaram de distribuir os moveis pela casa. O salão dividido em sala de estar e sala de jantar, móveis da cozinha e do banheiro, o quarto escuro de baixo pros meus pais, os de cima para nós.
Meu quaro tinha janelas redondas de vidro que abriam com dobradiças. Pra fora haviam flores esculpidas no vidro, achei maravilhoso, haviam quadros na parede. Eu não mudaria a decoração do quarto, apenas daria um toque especial, reorganizando os quadros e arrumando meus móveis.
 A cama, o guarda-roupa e a escrivaninha já estavam ali, faltava apenas uma estante que eu encheria de livros, fotos e outros enfeites.
Arrumei minha cama, peguei meu noutbok, deitei e liguei-o, ainda ano tinha internet, mas eu já tinha muito o que escrever, abri um rascunho e comecei a digitar.
Arrumei meus cadernos, acessórios, material escolar e outras tranqueiras, ainda não havia aberto a grande bolsa com fotos, cartas, presentes e lembranças que minhas amigas me ajudaram a arrumar.
Minha caixa de livros eu só abriria quando a estante chegasse.
Resolvi organizar meu novo quarto, primeiro tirei o pó dos quadros e do chão, depois comecei a organizar os quadros.
Haviam dois grandes quadros, um encima das janelas, retratava uma moça bem vestida com um sorriso doce, o outro pouco acima da cabeceira da cama ilustrava um cavaleiro correndo por uma estrada, haviam também outros três quadros menores, ambos mostrando paisagens, na parede a direita da cama, eu inverteria a ordem dos menores e trocaria os maiores de lugar
Quando retirei o primeiro pequeno quadro da parede caíram no chão duas pequenas chaves, uma apenas um pouco maior do que a outra, deixei-as sobre a cama e retirei o segundo quadro da parede, nada, a surpresa veio quando retirei o terceiro, uma pequena porta de madeira, pequena mesmo, deveria ter 20x15cm.
Peguei a menor chave e a testei, não abriu, peguei a maior, abriu, era uma caixa na parede, um cofre, tranquei os cofres e coloquei os quadros na ordem inversa.
Retirei o quadro da moça de cima das janelas e coloquei sobre a cama, depois retirei o outro grande, pra meu espanto havia outra porta, esta bem maior, eu passaria por ela com pouca dificuldade, não hesitei em pegar a menor chave e abrir a porta.
Não acreditei, parecia uma elevador, daqueles que entramos dentro e puxamos uma corda para subir, coloquei minha mala no elevador pra ver se ele agüentava o peso e ele agüentou. Tranquei o elevador, troquei os quadros e fui até o quarto de minha irmã.
Ela era um ano mais nova do que eu, estava entrando na adolescência e mesmo com todos os conflitos psicológicos e hormonais dos 13 anos minha irmã é minha melhor amiga, quando entrei no quarto eu disse:
-Isso é muito legal.
-O que é muito legal? – ela perguntou fechando a porta que eu havia deixado aberta.
Eu tirei o quadro grande da parede do quarto dela, abri a porta que levava ao elevador e puxei a corda pra trazer o elevador pra cima, ela ficou chocada.
-Isso leva pra onde?
-Do meu quarto pro seu e do seu quarto pro meu.
-Que legal! Olha o que eu achei – Ela me mostrou uma caixa de madeira, linda, com uma fechadura - Não tenho como abrir e sei que você gosta dessas coisas feitas à mão, quer pra você?
-Quero! Te amo, irmã.
-Também te amo, louca – fui saindo, mas ela chamou – Ei, se vai pro seu quarto por que não estréia o elevador? – Com um pouco de medo eu fui, cheguei inteira, destranquei a porta por dentro e saí, foi divertido.
Guardei a caixa no cofre, alguma coisa me dizia que eu encontraria a chave que a abriria.
-Marcela! Desce logo, vamos jantar!
Desci junto com minha irmã até a sala de jantar e vi uma cena inusitada, definitivamente a pizza não combinava com a decoração rústica da casa, mas ela não duraria muito, jantamos e subimos, tirei da caixa meu exemplar de “ A Última Músca”, abri a janela por onde eu podia ver a lua, deitei na cama e me pus a ler até pegar no sono.

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