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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Namora comigo.

-E você, se considera uma menina pra namorar ou pra ficar?
-Prefiro namorar.
-Por quê?
-Porque pra ficar só entra a parte física, é beijar na boca, basicamente só isso. E no namoro você tem um ponto de paz, alguém pra quem você pode voltar, com que você pode contar sempre, e você pode confiar, e pode conversar, discutir opiniões enfim, junta o melhor da ficada com o melhor da amizade.
-Você ficaria comigo? - não soube porque não se surpreendeu, respondeu de cara
-Sim, eu ficaria com você
-Você namoraria comigo? -pra essa pensou mais um pouco
-Não sei, essa pergunta tenho que pensar pra responder, depende das circunstâncias, do momento e de muitas outras coisas
-Isso é um Não? - quis saber
-Isso é um pedido de namoro? - defendeu-se
-Amanhã agente conversa mais - ele disse, e ela entendeu "preciso de tempo pra pensar", ele se levantou e de repente se lembrou de alguma coisa - quase me esqueci; Quer ficar comigo?
Ela olhou pro lado e sorriu.
-Quero. - se levantou e segurou a mão dele, os dois foram até o muro
Ela colocou a mão no ombro dele e no começo teve que ficar na ponta dos pés, mas achou aquilo muito fofo, logo ele se curvou um pouco e ela voltou a altura normal, ela tinha certeza de que eles seriam vistos e virariam assunto, afinal ele e principalmente ela eram conhecidos por todos dali.
O beijo agradou, ela esperava por ele havia algum tempo e ele supriu as expectativas, até superou. Ele apoiara a mão na cintura dela, ela não queria largar dele, ela o queria como namorado.
Ele havia entrado na vida dela do nada, quando ela estava precisando de uma amigo novo, e ela acabou descobrindo nele uma pessoa totalmente surpreendente, era o melhor amigo (amigo homem) que ela tivera na vida, amizade razoavelmente recente. E ela acabou gostando demais dele, mais do que achava que devia. E então estava ali no meio de um beijo, por um momento sentiu que eles estavam sendo observados, mas nem por isso se virou, sentia por ele algo que nunca sentira por ninguém, e se surpreendera ao ver que nem ela nem ele, tiveram vergonha de ficar ali onde qualquer um poderia ver.
Quem os despertou do momento mágico foi Marcos, o faz tudo, ele subia da loja pro centro de ensino disse:
-Oooooh!!!
Com a voz engraçada que ele sempre faz, ele não era o único espectador da cena, Carolina, uma garota mais nova os observava meio risonha meio chocada e tratou de sumir rapidinho, pronto, a notícia já ia se espalhar
-Então... Eu tenho que ir pra casa - ela disse - Tarefa, livro, você sabe
-Tá... até amanhã?
-Ou hoje anoite, na internet.
-É, tchau. - Ela o segurou pela mão, deu mais um selinho e foi.
Ela não teve nem coragem de entrar na internet, tinha medo de descobrir que tudo o que acontecera mais cedo tinha sido um sonho, repassara a cena mil vezes na cabeça antes de dormir.
No outro dia ele demorou um pouco pra chegar, e ela teve bastante tempo pra ser azucrinada por seus amigos. Mauro veio elétrico enquanto ela passava o tempo com Mara:
-É verdade o que me falaram ali?
-Esse povo não segura nada dentro da boca né?  - olhou pra amiga confirmando o duplo sentido
-O que falaram?  - Mara quis saber
-Que ela ficou com o Julio
-Você ficou???
-Fiquei
-Ãããn!
-Não acredito - completou o Mauro
-Que é que tem?Vocês vão controlar minha vida agora?
-Não, mas sei lá não dá pra imaginar
-É, eu nunca vejo vocês nem conversando e agora já tão ficando?
-Tão, nada. não tamo nada. Agente ficou, só.
Depois vieram a Lilian e a Laura, as duas mais novas
-Ei - começou Lílian - você não tem nada pra me contar não?
-Nada que você não tenha ficado sabendo...
-Você tá namorando com o Júlio? - perguntou Laura entusiasmada
-Ta vendo? o povo já encomprida o negócio, eu só fiquei com ele.
-Mas você gosta dele?
-Acho ele uma pessoa ótima e muito gente boa, aliás, me deem licença. - ela acabara de ver Júlio pela janela e foi encontra-lo
-Ta sendo interrogada? - ele perguntou rindo
-Até parece que eu cometi algum crime - Ela quase perguntou se era crime ser feliz, mas não quis forças a barra. - Não vai dar pra conversar aqui mesmo, tipo, eles vão ficar encima.
-Então...?
-Eu to com uma vontade enorme de dar um volta no quarteirão - riu - vamos?
Ele também riu e eles foram andando devagar
-Você disse que namorar depende das circunstâncias, do momento e de outras coisas, que outras coisas?
-A pessoa, claro, não pode seu um idiota, nem machista, nem galinha, nem falso, nem grosso...
-Nossa...
-quer que eu pare?
-desculpa
-nada - riu - tem que ser sincero, bem-humorado e carinhoso. Ah claro, tem que gostar de mim... me suportar sabe?
Ele riu
-Sei.
-Para! Tem que saber que pode contar comigo pra tudo, tem que confiar em mim e quando achar que não dá mais tem que falar.
Parecia que eles iam fazer um negócios e estavam formulando os últimos tópicos do contrato, mas ela achava melhor que ficasse tudo muito claro pra depois não terem motivo pra desentendimento e não ter nenhum mal entendido
-E você - ela perguntou - não tem condições?
-Ah, tem que ser carinhosa, sincera, inteligente, bem humorada, mais ou menos tudo o que você disse.
-Ah. - Ela disse, não querendo deixar ele perceber que ela achava que se encaixava em tudo aquilo.
-Então... - ele começou, mas pareceu não encontrar palavras, os dois ainda andavam, já estavam terminando o segundo lado do quarteirão. Ela parou e encostou na grade de um depósito de materiais de construção abandonado. Ele deu mais alguns passos e parou, virou-se, foi até ela e fitou-lhe os olhos.
-Você quer namorar comigo? - perguntou por fim.
-Quero - sorriu e o abraçou, ele retribuiu, depois se beijaram, um beijo curto, de empolgação.
-Agora voltamos? - ele riu
-É né. Bom, eles vão descobrir de qualquer jeito, agente pode falar ou mostrar. - também riu
-nunca achei que você fosse romântica
-Eu não sou romântica, mas eu gosto de marcar presença, agente pode chegar de mãos dadas, entrar de mãos dadas e dar um selinho de despedida, porque já é hora de eu ir - ela não parava de sorrir - se você quiser claro.
Ele pegou sua mão
-Vamos. - ela deu um longo suspiro e eles foram, menos lentamente.
Como ela descrevera, chagaram de mãos dadas, entraram de mãos dadas, e todos permaneceram calados, ninguém ousou abrir a boca, pra perguntar, pra dizer ou pra alfinetar.
-Vamos Mara? - a pegunta dela foi tudo o que se ouviu em meio a olhares chocados - ta na hora né?
-Tchau Mauro - ela abraçou o amigo em choque, pegou seu material. Eles foram até a saída e lá, na frente de todos os dois deram um selinho
-Até mais tarde - ela disse
Chamou Mara e elas foram.
-Vocês tão namorando.
-Sim*---------*
-Nossa, da pra ver que você tá muito feliz.
-Não consigo parar de sorrir
-Eu não sabia que você gostava dele
-comecei a gostar demais dele, e ai saiu o assunto de ficar e namoro e rolou.
-"Rolou" - riram - A Júlia não vai acreditar.
-Nem ela nem a Gi, que tava sempre insistindo que eu gostava dele, antes mesmo de eu gostar. Nossa, mano não to acreditando, achei que o amor nunca fosse dar certo pra mim.
-Pois é a hora chega pra todo mundo
-E  só não chegou pra você porque você não quis né dona?Ainda acho que você devia dar uma chance pro Wendel e ele pra você.
-Ai para.
-Tudo bem, to feliz demais*-----------------------------*


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